quarta-feira, 24 de novembro de 2010

COMO USAR AS PALAVRAS

Certa vez, uma jovem foi ter com um sábio para confessar seus pecados.
Ele já conhecia muito bem uma das suas falhas. Não que ela fosse má, mas costumava falar dos amigos, dos conhecidos, deduzindo histórias sobre eles.

Essas histórias passavam de boca em boca e acabavam fazendo mal - sem nenhum proveito para ninguém.
O sábio disse:
- Minha filha você age mal falando dos outros; tenho que lhe dar um dever. Você deverá comprar uma galinha no mercado e depois caminhar para fora da cidade. Enquanto for andando, deverá arrancar as penas e ir espalhando-as. Não pare até ter depenado completamente a ave. Quando tiver feito isso, volte e me conte.
Ela pensou como os seus botões que era mesmo um dever muito singular!
Mas não objetou. Comprou a galinha, saiu da caminhando e arrancando as penas, como ele dissera. Depois voltou e contou ao sábio.
- Minha filha - disse o sábio - você completou a primeira parte do dever. Agora vem o resto.
- Sim senhor, o que é?
- Você deve voltar pelo mesmo caminho e catar todas as penas.
- Mas senhor é impossível! Há esta hora o vento já as espalhou por todas as direções. Posso até conseguir algumas, mas não todas!
- É verdade, minha filha. E não é isso mesmo que acontece com as palavras tolas que você deixa sair? Não é verdade que você inventa histórias que vão sendo espalhadas por aí, de boca em boca, até ficarem fora do seu alcance? Será que você conseguiria segui-las e cancelá-las se desejasse?
- Não, senhor.
- Então, minha filha, quando você sentir vontade de dizer coisas indelicadas sobre seus amigos, feche os lábios. Não espalhe essas penas, pequenas e maldosas, pelo seu caminho. Elas ferem, magoam, e te afastam do principal objetivo da vida que é ter amigos e ser feliz! Pense nisso... Usando apenas lindas palavras...

ADIMU - OFERENDAS AOS ORIXÁS




AS OFERENDAS

Dentro do culto aos Orixás, o mais importante são as oferendas aos Orixás, que têm por finalidade manter o equilíbrio das relações entre eles e os seres humanos.

É através das consultas ao Oráculo de Ifá, que as pessoas, mesmo as não iniciadas, são informadas a respeito

das exigências de seus Orixás e principalmente de Exú, relativas às oferendas que desejam receber.

Nem sempre estas exigências são estabelecidas pela relação anteriormente explicada entre o ser humano e seu Orixá de cabeça, muitas das vezes, é um outro Orixá quem se oferece para solucionar um determinado problema

ou alguma dificuldade que está sendo vivenciada e, em troca, exige algum tipo de sacrifício em seu louvor.

Algumas vezes, pessoas atormentadas pelos mais diversos tipos de dificuldades, recorrem aos préstimos de algum Orixá, oferecendo algum tipo de sacrifício como penhor de sua confiança e de sua fé, da mesma forma que os católicos recorrem aos seus santos, implorando graças e fazendo promessas que, invariavelmente, são pagas somente após a obtenção da graça solicitada.

Os sacrifícios oferecidos aos Orixás, são genericamente denominados "ebós" que se dividem em "ejenbale" (sacrifícios com derramamento de sangue animal ou ave) e "adimús" (alimentos).

Oferendas de Orixás - segundo o Candomblé
Ao preparar as comidas de santo, deve-se observar os tabus de cada um deles. Por exemplo, o azeite de dendê nunca deve ser oferecido a Oxalá, o mel é proibido a Oxóssi, o carneiro não pode sequer entrar em uma casa consagrada a Iansã etc. Os filhos de santo devem observar todas as quizilas dos seus Orixás e, sendo parte do Orixá, também não podem consumi-las. A ijoyé encarregada de preparar as comidas dos Orixás é a Ìyá Basé, um cargo outorgado apenas a mulheres de grande sabedoria e respeito junto à comunidade. Ela é a mãe que conhece todos os segredos da cozinha e que sabe que o principal ingrediente para uma boa comida de santo, capaz de alcançar as mais altas dádivas, é o amor. O primeiro Orixá cultuado também é o primeiro a comer, Exu ele come tudo que a nossa boca come, as oferendas dadas ele mais comumente são os padês a base de farinha de mandioca branca, combinada com azeite de dendê ou mel de abelha, água, bebida alcoólica e acaçá vermelho feito com farinha de milho amarelo e enrolado em folha de bananeira. Em algumas ocasiões também são utilizados pimenta, cebola, bife e moedas nas oferendas a este Orixá. Nas oferendas a Ogum são dados inhame assado com azeite de dendê e feijoada. Normalmente a feijoada de Ogum segue exatamente o mesmo modo de preparo das feijoadas tradionais, Ogum gosta de carnes “gordas” de fartura, isso se deve ao fato de que a feijoada é uma comida “comunitária”, que deve por excelencia ser servida a toda a comunidade do terreiro. E em casos muito especiais só o Orixá “come”. Por tanto, talvez, esse não seja o prato mais indicado para um presente individual a Ogum. Lembre-se que Ogum é um Orixá que não gosta de perder tempo com coisas elaboradas, ele prefere as coisas simples, como um inhame acara ou cará, assado com dende e mel, na maioria dos casos isto lhe basta. Em algumas casas a feijoada é feita com feijão “cavalo”, com feijão “fradinho”, mas a grande maioria adota mesmo a boa de deliciosa feijoada de feijão preto, retira-se uma parte para o Orixá e o restante se reparte com os amigos numa boa roda de conversa regada a cerveja (se bem que a cerveja pode não ser aceita em algumas Casas), mas em geral é isso. Na verdade depende muito tambem do Chefe do Terreiro da Personificação do orixá e da adaptação vibracional necessaria. Oxóssi come axoxó feito com milho vermelho cozido decorado com fatias de coco. Ele também aprecia frutas e feijão fradinho torrado. As comidas devem ser colocadas sob o telhado ou aos pés de uma arvore. A oferenda dada a Obaluaiê é a pipoca. Utilizando areia da praia para estoura-las e enfeitando com fatias de coco. Oxumare prefere que sejam dados em oferenda a ele, bata doce amassada e modelada em forma de cobra e também farofa de farinha de milho com ovos, camarões e dendê. Ossaim prefere acaçá, feijão, milho vermelho, farofa e fumo de corda. O acarajé de forma arredondada com dendê é a oferenda consagrada a Iansã, mas também é do agrado de Obá. Obá também tem preferência por um bolinho de nome abará que consiste em uma massa de feijão fradinho temperado com dendê enrolado em folha de bananeira e cozido em banho-maria. O omolocum, feijão fradinho cozido com cebola, camarões e azeite de oliva e decorado com ovos cozidos e descascados é de Oxum. Iemanjá prefere peixe de água salgada, regados ao azeite e assados, milho branco cozido e temperado com camarões, cebola e azeite doce, manjar com leite de coco e acaçá. A Nanã é oferecido efó, mungunzá, sarapatel, feijão com coco e pirão com batata roxa. O amalá pertence a Xangô. O amalá (pirão de inhame) deve untar o fundo da gamela e sobre ele é colocado o caruru decorado com pedaços de carne, camarões, acarajé e quiabo, doze unidades de cada e enfeitado com um orobô. É válido lembrar que a oferenda deve ser servida quente. Oxalufã só aceita comidas brancas e tem preferência por milho branco cozido e sem tempero. O inhame pilado é oferenda de Oxaguiã. As comidas oferecidas a Orixás Funfun, devem ser sempre colocadas em louças brancas. Com Odus que são complexos de lidar e o melhor é consultar um Babalaô para saber se há necessidade de fazer alguma coisa. Em determinadas circunstancias os Orixás podem cobrar de alguém a atenção devida a Ele, essa cobrança se dá de diferentes formas, as vezes até severas, como doenças. Porém isso não quer dizer que tudo o que uma pessoa passa de infortúnios na sua vida seja cobrança de Orixá. Muitas vezes esses problemas são fruto do nosso comportamento com o mundo, nos expomos a perigos, nos arriscamos em aventuras, somos demasiados confiantes e não medimos as consequencias dos atos. O resultado quase sempre são perdas.

Oferenda a Orixás- segundo a Umbanda

AS OFERENDAS NA UMBANDA SÃO FEITAS AOS ORIXÁS E AOS GUIAS
FALANGEIROS (ESPÍRITOS EVOLUIDOS) QUE TRABALHAM NA VIBRAÇÃO DE
UM DETERMINADO ORIXÁ.

ESSES GUIAS SERIAM OS PAIS VELHOS (MAIS CONHECIDOS COMO PRETOS
VELHOS), OS CABOCLOS E OS ERÊS (ESPÍRITOS QUE ASSUMEM A ROUPAGEM
FLUIDICA DE CRIANÇAS).

SÃO REALIZADAS AINDA OFERENDAS AOS EXÚS E ÀS POMBAGIRAS, QUE SÃO
ESPÍRITOS EM EVOLUÇÃO, GUARDIÕES DO ASTRAL.

A UMBANDA TEM SUA LITURGIA E AS OFERENDAS OCUPAM DESTAQUE NESTA.
COMO RELIGIÃO QUE ENTENDE A NATUREZA FÍSICA COMO A MANIFESTAÇÃO
DAS FORÇAS CRIADORAS DOS ORIXÁS, REALIZA O RELIGARE DO HOMEM COM
ESSES ORIXÁS ATRAVÉS DAS OFERENDAS.

ESSA CONEXÃO É FAVORECIDA PELO ATO DE OFERENDAR, E O PRANA
PRESENTE NOS ELEMENTOS OFERENDADOS É MANIPULADO E REVERTIDO
COMO AXÉ PARA A PESSOA QUE ESTÁ OFERENDANDO.
OCORRE UMA MOVIMENTAÇÃO DE FORÇAS MAGISTICAS EM BENEFÍCIO
DE QUEM ESTÁ OFERENDANDO OU PARA UMA TERCEIRA PESSOA, QUE
ATRAVÉS DE UM ENDEREÇO VIBRATÓRIO (NOME, FOTO, ROUPA ETC) SERÁ
BENEFICIADA POR ESSAS ENERGIAS.
CUIDADOS COM O MEIO AMBIENTE

AS OFERENDADAS DEVEM SER REALIZADAS DENTRO DO TERREIRO, SEMPRE
QUE POSSÍVEL PREFERENCIALMENTE DEPOSITADAS EM MATERIAL
BIODEGRADÁVEL COMO FOLHAGENS (BANANEIRA, MAMONA)
OS RESÍDUOS DAS OFERENDADS DEVEM SER RECOLHIDOS, APÓS O TEMPO
DETERMINADO DE PERMANÊNCIA (NORMALMENTE 3 DIAS). ESSES RESÍDUOS
ORGÂNICOS PODEM SER JOGADOS EM LIXO COMUM E OS RECICLÁVEIS DEVEM
SER JOGADADOS EM LIXOS APROPRIADOS.
OS TRABALHOS NAS MATAS, PRAIAS OU CACHOEIRAS DEVEM OBEDECER
CRITÉRIOS RIGOROSOS DE CUIDADOS COM O MEIO AMBIENTE. RECOLHA
GARRAFAS, COPOS E RECIPIENTES PARA JOGAR FORA POSTERIORMENTE.
OS MATERIAIS ORGÂNICOS DEVEM SER ARRIADOS EM FOLHAGENS.
TENHA MUITO CUIDADO COM VELAS, CIGARROS OU CHARUTOS PARA QUE
NÃO CAUSEM INCÊNDIOS, CERTIFIQUE-SE QUE JÁ QUEIMARAM ANTES DE
SAIR.
NAS OFERENDAS DA UMBANDA NÃO SE USA SACRIFÍCIO ANIMAL.
OS ELEMENTOS MAIS CONHECIDOS UTILIZADOS SÃO FRUTAS, LEGUMES,
CEREAIS, FLORES, FUMOS, VELAS, ERVAS, PLANTAS, INCENSOS, ÁGUA
MINERAL, ÁGUA DE CÔCO, SUCO DE FRUTAS.
ALGUNS TERREIROS DE UMBANDA, QUE UTILIZAM CARNES OU PEIXES EM SUAS OFERENDAS SÃO CASAS CHAMADAS DE UMBANDA DE NAÇÃO.

ALGUMAS OFERENDAS AOS ORIXÁS NOS CULTOS DE CANDOMBLÈ, INCLUEM
ELEMENTOS DE VIBRAÇÃO ANIMAL COMO FEIJOADA PARA OGUM, ACARAJÉ
PARA IANSÃ ENTRE OUTROS.

OS SIMPATIZANTES DO CULTO E NÃO INICIADOS QUE DESEJEM OU SINTAM
NECESIDADE OFERENDAR A UM ORIXÁ, DEVEM FAZÊ-LO ATRAVÉS DE UM
BABALORIXÁ OU UMA IALORIXÁ (PAI E MÃE DE SANTO).
POIS NÃO TÊM NEM O CONHECIMENTO NEM A INICIAÇÃO RITUAL.

Fazer oferenda para Orixá não garante sucesso em tudo, a menos que seja um pedido dos orixas, porque não se pode andar fazendo rituais a torto e a direito. Antes que se busque uma Casa séria e competente, não simplesmente dando ouvidos a quem te diz que isso ou aquilo é cobrança e repense a relação que você deseja ter com o seu orixá, não dê nada pensando em retorno financeiro e só faça a oferenda se for para agradecer pela vida, pelos dons e por respeito aos orixas, com certeza sem cobrança eles ajudam a encontrar a superação dos problemas pessoais.

ORIXÁ FUNFUN - A MAIS ALTA HIERARQUIA



Como vimos, as divindades africanas estão separadas em duas categorias hierárquicas. Na categoria mais

elevada, encontram-se as entidades que participaram da criação do universo, consideradas como ancestrais

espirituais de tudo quanto possa ocorrer nos dois planos de existência, chamadas, para diferenciá-las das demais, de

"Orixás Funfun" (Orixás Brancos).

Neste aspecto, a filosofia religiosa yorubana em muito se assemelha à budista que afirma que, "Não há um

criador, mas uma infinidade de potências criadoras que formam em seu conjunto, a substância Una e Eterna, cuja

essência é inescrutável e por conseguinte, insuscetível de qualquer especulação por parte de um verdadeiro filósofo".

Sendo emanações diretas de Olorun, os Orixás Funfun são portanto, os seres mais elevados da escala da

existência, encontrando-se no mesmo nível dos Arcanjos do cristianismo e dos "Filhos Maiores Nascidos da Mente de

Brahma" descritos nos Vedas, denominados Devas, Pitris, Rishis, etc... Estas Divindades Criadoras são encabeçadas

por Obatalá, O Senhor das Vestes Brancas, também conhecido como Orixánlá ou Oxalá. Oxalá é o Sopro Divino, a

primeira manifestação individualizada de Olorun que é a vida una, eterna, invisível, mas onipresente; sem princípio e

sem fim; inconsciente, mas Consciência Absoluta; incompreensível, mas realidade existente por si mesma. Oxalá o

Sopro-Divino, provoca o movimento que fecunda e energisa o Eterno em repouso no Oceano-do-não-ser, onde tudo

existe sem forma e, ocasionando o surgimento da diferenciação, desperta o Plano Divino, onde jaz oculta a

elaboração de todos os seres e coisas futuras.

Obatalá, o Primogênito Divino, ao fecundar o Oceano Caótico composto de matéria inerte e informe,

provoca a explosão da vida, ocasionando a primeira manifestação da Natureza, feminina, porque passiva.

Tudo o que exista ou possa existir é oriundo desta essência até então inerte e que, após haver sido tocada,

fecundada pelo princípio masculino, manifesta-se e recebe o nome de Oduduwa.

As Águas-Abstratas-do-Espaço transformam-se nas Águas-da-Substância-Concreta, impulsionadas por

Obatalá que é na realidade, o Verbo ou Logos manifestado que, por sua ação fecundadora, representa o princípio

masculino da criação, longe portanto de ser andrógino como propõem alguns iniciados ao afirmarem ser ele, a um só

tempo, macho e fêmea.

OXALÁ/OBATALÁ

Considerado como a mais importante Divindade no contexto religioso, Oxalá é cultuado em todo o território

de cultura yorubana, com nomes diversos que variam de uma região para outra. Em Ile Ifé, Ibadan e outras

localidades é conhecido como Orixan'la; na região de Ogbomosó é chamado de Orixá Pópó; em Ejigbo, Orixá Ogiyán; em Ijàyie, Orixá Ijàiye; em Ugbo, Orixá Onilé.

Oxalá é o Orixá do Branco, símbolo da pureza incontestável.

Detentor do princípio genitor masculino,qualquer oferenda a ele dedicada deve ser composta de elementos inteiramente brancos.

PRECE A TODOS OS ORIXAS- (comecemos bem o novo ano)


Que a irreverência e o desprendimento de Exú me animem a não encarar as coisas da forma como elas parecem à primeira vista e sim que eu aprenda que tudo na vida, por pior que seja, terá sempre o seu lado bom e proveitoso! Laro Yê Exu!

Que a tenacidade de Ogum me inspire a viver com determinação, sem que eu me intimide com pedras, espinhos e trevas. Sua espada e sua lança desobstruam meu caminho e seu escudo me defanda. Ogum Yê meu Pai!

Que o labor de Oxossi me estimule a conquistar sucesso e fartura às custas de meu próprio esforço. Suas flechas caiam à minha frente, às minhas costas, à minha direita e à minha esquerda, cercando-me para que nenhum mal me atinja. Okê Arô Ode!

Que as folhas de Ossanhe forneçam o bálsamo revitalizante que restaure minhas energias, mantendo minha mente sã e corpo são. Ewe Ossanhe.

Que Oxum me dê a serenidade para agir de forma consciente e equilibrada. Tal como suas águas doces – que seguem desbravadoras no curso de um rio, entrecortando pedras e se precipitando numa cachoeira, sem parar nem ter como voltar atrás, apenas seguindo para encontrar o mar – assim seja que eu possa lutar por um objetivo sem
arrependimentos. Ora YeYêo Oxum!

Que o arco-íris de Oxumaré transporte para o infinito minhas orações, sonhos e anseios, e que me traga as respostas divinas, de acordo com meu merecimento. Arrobobo Oxumaré!

Que os raios de Yansã alumiem meu caminho e o turbilhão de seus ventos leve para longe aqueles que de mim se aproximam com o intuito de se aproveitarem de minhas fraquezas. Êpa Hey Oyá!

Que as pedreiras de Xangô sejam a consolidação da Lei Divina em meu coração. Seu machado pese sobre minha cabeça agindo na consciência e sua balança me incuta o bom senso. Caô! Caô Cabecilê!

Que as ondas de Yemanjá me descarreguem, levando para as profundezas do mar sagrado as aflições do dia-a-dia, dando-me a oportunidade de sepultar definitivamente aquilo que me causa dor e que seu seio materno me acolha e me console. Odoyá Yemanjá!

Que as cabaças de Obaluayê tragam não só a cura de minhas mazelas corporais, como também ajudem meu espírito a se despojar das vicissitudes. Atotô Obaluayê!

Que a sabedoria de Nana me dê uma outra perspectiva de vida, mostrando que cada nova existência que tenho, seja aqui na Terra ou em outros mundos, gera a bagagem que me dá meios para atingir a evolução, e não uma forma de punição sem fim como julgam os
insensatos. Saluba Nanã!

Que a vitalidade dos Ibeijis me estimule a enfrentar os dissabores como aprendizado; que eu não perca a pureza mesmo que, ao meu redor, a tentação me envolva. Que a inocência não signifique fraqueza, mas sim refinamento moral! Onibeijada!

Que a paz de Oxalá renove minhas esperanças de que, depois de erros e acertos; tristezas e alegrias; derrotas e vitórias; chegarei ao meu objetivo mais nobre; aos pés de Zambi maior! Êpa Babá Oxalá!

TIPOS DE FIOS DE CONTA

Yian/Inhãs: Fios de uma só “perna”, isto é, o colar simples de uma só fiada de missangas cuja medida deve ir até a altura do umbigo.

Delogum: Colares feitos de 16 fiadas de missangas com um único fecho cuja medida, como os Inhãs, vai até à altura do umbigo. Cada Iaô deve possuir, normalmente, um Delogum do seu orixá principal e outro do orixá que o acompanha em segundo plano.

Brajá: longos fios montados de dois em dois, em pares opostos. Podem ser usados a tiracolo e cruzando o peito e as costas. É a simbologia da inter-relação do direito com esquerdo, masculino e feminino, passado e presente. Quem usa esse tipo de colar é um descendente dessa “união”.

Humgebê/Rungeve: Feito de missangas marrons, corais e seguis (um tipo de conta).

Lagdibá/Dilogum: Feito de fios múltiplos, em conjuntos de 7, 14 ou 21. São unidos por uma firma (conta cilíndrica).

As Cores dos fios-de-contas de cada Orixá:

Exú – Contas Pretas intercaladas com Contas Vermelhas

Ogum – Contas Azul Forte (podem ter apontamentos Vermelhos ou Verdes)

Oxóssi – Contas Azul-turquesa

Omulú – Contas Brancas Raiadas de Preto ou Contas Marrom

Oxumaré – Contas Amarelas Raiadas de Preto ou Verdes Raiadas de Amarelo

Ossaim – Contas Verdes

Iroko – Contas Verdes intercaladas com Contas Brancas

Logun Edé – Contas Azul-turquesa intercaladas com Contas Amarelas ou Brancas

Oxum – Contas Douradas ou Contas de Âmbar

Iemanjá – Contas Brancas intercaladas com Contas Azul Claro e/ou Contas de Cristal

Iansã – Contas Marrom ou Contas de Coral (Vermelho, Salmão)

Ibeji – Contas de Todas as Cores

Obá – Contas Vermelho Escuro

Ewá – Contas Vermelhas intercaladas com Contas Amarelas

Nanã – Contas Brancas Riscadas de Azul

Xangô – Contas Vermelhas intercaladas com Contas Brancas

Oxalá – Contas Branco Leitoso e/ou Contas de Cristal

A DANÇA DO TODO

Acreditar em você é crer que o sopro divino o convida para uma dança sagrada, dançar nos sonhos, dançar na luz divina do ser… Criação!
Confie, aceite, entre no salão da vida, mesmo que você não saiba corretamente os passos, o ritmo, a duração da música, mas quem é que sabe?!… Expressão!
Mesmo que você, eu ou qualquer outro dançarino cósmico não saibamos muito sobre essa doce canção, o que importa realmente é enchermos de alegria e amor nossos movimentos e contagiar positivamente todos a nossa volta, e que seu coração dance, como dança uma criança irradiando, amor e pureza… Emanação!
Perceba a sutileza da canção composta pelo Todo, essa linda melodia que toca na vastidão celestial, o poder oculto na intenção do som, canção que revela o pensamento criador.
Sonoridade que se fez presente em cada célula, em cada dança, em tudo… Revelação!
Sinfonia cósmica, que acalma a mente e sossega a alma, que o leva ao céu e ao encontro da lua e o faz despertar no charme do sol.
Nunca se esqueça de que você tem uma estrela luminosa em seu peito, você é sonho, você é verso, você é eterno.
Imaginação, sedução de um amor incondicional, a cura que brota de dentro do coração, a luz divina que chega sem tocar, apenas está. Nessa dança, dentro ou fora a conclusão é amar… Compaixão!
Consciência digna de viver e aprender, os impulsos o levam a procurar e nesta busca atingir os seus mais íntimos propósitos espirituais… Despertar!
Amar e sorrir são essenciais, siga em frente e acredite sempre no brilho do seu olhar.
Movimento, vida, expansão…
A música das esferas… Deus em ação!
Siga seu coração, conduza sua vida em direção ao amor maior, não perca tempo… Dance!
Seja feliz, você “EXISTE”, você é “VIDA”, você é “ETERNO”!



Extraído do A Voz dos Elementos

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A CABAÇA E SUA UTILIZAÇÃO

A cabaça é um fruto vegetal com larga utilização no Candomblé.

É o fruto da cabaceira (Cucurbita lagenaria L.) e basicamente tem uma forma arredondada e um pescoço curto ou longo, podendo tomar outras formas, dando–lhe assim condições de ter diversas utilizações. Depois de extraída, torna-se seca e sólida. Por dentro possui algumas sementes. Quando cortada, deve-se retirar a polpa, deixando-a secar, para ser usada como utensílio. Inteira, é denominada cabaça; cortada é cuia ou coité, e as maiores são denominadas cumbucas.

Nos ritos de Candomblé, sua utilização é ampla, tomando nomes diferentes de acordo com o seu uso, ou pela forma como é cortada. A cabaça inteira é denominada Àkèrègbè e a cortada em forma de cuia toma o nome de Ìgbá. Cortada em forma de prato é o Ígbáje, ou seja, o recipiente para a comida. Cortada acima do meio, forma uma vasilha com tampa, tomando o nome de Ígbáse, ou cuia do Àse, e é utilizada para colocar os símbolos do poder após a obrigação de sete anos de uma Ìyáwó, como a tesoura, navalha, búzios, contas, folhas, etc que permitirão à pessoa ter o seu próprio Candomblé.

Cabaças minúsculas são colocadas no Sàsàrà de Omulu, como depósito dos seus remédios. No Ógó de Èsù, uma representação do falo masculino, as cabaças representam os testículos. Usa-se uma das partes da cabaça cortada ao meio, e colocada na cabeça das pessoas a serem iniciadas e que não podem ser raspadas por serem Àbìkú, para nela serem feitas as obrigações necessárias.

Com o corte ao cumprido, torna-se uma vasilha com um cabo, chamada de cuia do Ípàdé, e serve para colher o material de oferecimento ou para colher as águas do banho de folhas maceradas. Inteira e revestida de uma rede de malha será o Agbè, instrumento musical usado pelos Ogans durante os toques e cânticos.

Uma cabaça com o pescoço comprido em forma de chocalho é agitada com as suas sementes, fazendo assim o som do Séré, forma reduzida de Sèkèrè, instrumento por excelência de Sàngó. A cabaça inteira e em tamanho grande substitui, nos ritos de Àsèsè, a cabeça de uma pessoa que morreu e que por alguns fatores não é possível realizar as obrigações necessárias de tirar o Òsu.

A Umbanda também se utiliza da cabaça que além de absorver parte dos significados e utilizações do Candomblé é usada como elemento energético, mágico e natural pelos Pretos Velhos, Caboclos e Exus em especial. Também faz parte dos elementos utilizados nos assentamentos de Yansã-Oyá, Obaluayê, Omulu, Caboclo e Exu.

A cabaça representa o ‘pote que guarda todos os mistérios da cura, da vida e da morte’, é um elemento vegetal poderosíssimo e de grande valor simbólico.

Substituindo os copos por cabaças, o vinho e a água servido aos Pretos Velhos, Caboclos e Exus terão um valor energético a mais. Nas oferendas a substituição também é muito bem aceita e importante, afinal é natural, tem valor energético, tem simbologia e é biodegradável.

Tomar banho com as sementes da cabaça é excelente para descarregar o campo mediúnico, favorecendo o equilíbrio mediúnico e a harmonização emocional.

Cortada horizontalmente pode ser utilizada nos Rituais de Amaci, evitando qualquer outro elemento impróprio para a ocasião.

Mais do que isso é oferecer algumas cabaças para os Pretos Velhos, Caboclos ou Exus e perceberemos quantas mirongas, quantas magias, são feitas com a cabaça.

Trechos retirados do livro “As águas de Oxalá” de José Beniste

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

AGULHA E LINHA


A costura e o bordado mais simples, bem como os mais elaborados, se fazem com o auxílio de agulha e linha. Mas, pronto o trabalho, só se percebe a presença da linha que teceu desenhos, prendeu botões ou realizou arremates e bainhas, cuja perfeição sempre dependerá da habilidade de quem realizou a tarefa.

Da agulha, quem se lembra? Ela conduziu a linha, aceitou o comando da costureira ou da bordadeira, enfrentou todo tipo de tecido, do mais resistente ao mais maleável, e depois ficou na caixa de costura. Exatamente onde deveria estar, a postos para qualquer novo chamado...

Assim somos nós, um pouco linha e um pouco agulha...

Talvez o papel da linha nos atraia mais. Todo mundo gosta de ver o seu trabalho reconhecido, é humano...

Já quando estamos na tarefa da agulha, às vezes nos lamentamos, sofremos pela dificuldade de romper as barreiras do caminho, esquecidos de que tudo faz parte de um projeto maior...

Não é possível chegar à costura ou ao bordado pronto sem qualquer daqueles agentes, a linha e a agulha. E para que um deles diga a que veio, mostrando o próprio valor e utilidade, precisará da ajuda do outro. A linha não borda e nem costura sem a agulha; e a agulha também nada disso fará sem ter a linha. Conversa de maluco...

Pois é.

Acontece que andamos como malucos, quase sempre, no corre-corre diário.

Quando a vida nos dá a linha, não queremos ser a agulha, tentamos escapar do trabalho mais árduo, sonhando com a coisa pronta... Ou quando ela nos dá a agulha, quantas vezes reclamamos por não ter “a cor certa” de linha pra usar ali, esquecidos de que improvisar é possível, temos essa capacidade latente...

Costureiras, bordadeiras, agulhas e linhas, eis que somos um pouco disso tudo, ao final. Ninguém exigirá um bordado ou costura de quem não aprendeu, antes, como fazê-los. Nem a Vida nos exige mais do que podemos fazer. Em mãos que se dedicaram a aprender e se tornaram hábeis, a agulha encontrará tarefas a realizar, é feita para isso. Essas mãos também saberão dar bom uso à linha disponível, completando o bordado ou a costura necessária. Precisamos então nos dedicar a aprender a fazer uma e outra coisa, a unir as possibilidades, enfrentando desafios, confiantes de que o resultado final valerá a pena.


Como diz o Sr. Zé Pelintra, “a Vida é o milagre que já aconteceu”: está tudo aqui, do que é essencial, bem ao nosso alcance. Não adianta ficar esperando “acontecer”, nós estamos aqui para fazer a nossa par te, ora como agulha, ora como linha. Fomos preparados para “costurar e bordar” a parte que nos cabe em nosso caminho de evolução.

Levando a maluquice pra outro ângulo: nós e a Espiritualidade, nós e os nossos bons e amados Guias. Eles têm sido agulhas de primeira, conduzindo-nos em todos os caminhos e realizando a parte mais árdua da tarefa, sempre chegando primeiro, preparando e amaciando o terreno e sempre nos atribuindo méritos pelo resultado final. Por igual, eles são a linha mais excelente, na medida certa, na cor certa e no calibre certo. Entregam tudo “redondinho” em nossas mãos, só nos cabe aceitar o presente e nos deixar guiar pelo seu conhecimento milenar na execução dos mais diversos e sofisticados “bordados e costuras”. No entanto, corremos o risco de ser pegos aqui agindo como crianças birrentas, ora reclamando do tamanho da agulha, ora reclamando da cor da linha, demorando a nos entregar ao encanto da comunhão de tarefas que nos proposta no campo mediúnico. Porém, se formos pegos, vamos usar o “exemplo saudável” das crianças, que logo se levantam depois de um tombo!

Os Guias poderiam se gabar dos seus conhecimentos e também das suas qualidades como agulha e como linha. No entanto, geralmente se recolhem, no Amor Daquele que tudo Vê, aceitando o papel humilde das agulhas: fazem o seu trabalho amoroso e se recolhem, na caixinha de costura que lhes construímos com a nossa compreensão limitada, permanecendo sempre a postos e dispostos a nos ajudar, na primeira necessidade.

Um dia aprenderemos com o exemplo deles. Com certeza, chegaremos a compreender melhor o papel e o valor de cada coisa em nossas vidas. Desde uma simples agulha até uma simples meada de linha, tudo serve a um propósito maior. Cada um de nós está aqui como parte da Grande Vida, que Se tece com a delicada beleza que nasce das Mãos Perfeitas do Amado Criador. Tudo importa e tudo vale a pena.

AMAR VERDADEIRAMENTE

Amar a humanidade é fácil... difícil é amar o próximo.
É fácil amar os que estão distantes, os desconhecidos, os que não convivem conosco.
Difícil é continuar amando quem te traiu, quem te magoou, quem te enganou.
É fácil amar quem é bonito, saudável, bem vestido, em forma.
Difícil é amar o pobre, o doente, o sofredor.
Amar é fácil, difícil é tolerar as ações dos outros.
Difícil é tolerar a amiga fofoqueira, o amigo chato, o parente aproveitador.
Difícil é tolerar a vizinha encrenqueira, o vizinho barulhento, o amigo oportunista.
É fácil amar aqueles com quem nos encontramos ocasionalmente, aqueles com quem passamos somente bons momentos, porque estes, pouco nos conhecem, ou melhor... só conhecem o melhor de nós, só conhecem a nossa melhor parte, que é somente o que nós mostramos a eles.
Difícil é amar aqueles com quem convivemos, aqueles que conhecemos o cheiro, que sabem as nossas reações e que falam o que pensam sobre nós.
Uma vez eu li que a felicidade está em amar cada pessoa individualmente, não a humanidade como um todo e, sim, cada parte dela.
Amar aqueles que nos conhecem como a palma de suas mãos.
Porque amar e tolerar os que estão distantes, é fácil...
Eles não tocam a nosso ego tão profundamente como os que estão próximos.
O maior desafio é eliminar o próprio ego.
Amar verdadeiramente é saber tolerar, compreender, ter boa vontade.
O maior exemplo de expressão verdadeira de amor, que toda a humanidade já viu, foi o amor incondicional de Jesus Cristo.
Ele possuía a forma de amor total, ampla e irrestrita, o amor na sua forma mais bela.
O amor que não escolhe a quem amar, o amor que ama sem restrições.
Não podemos ser como Jesus, mas podemos amar como Ele amou. Ou nos esforçarmos para amar... fazendo uma tentativa, duas, três, várias... Felizes aqueles que, com esforço (ou não) conseguem seguir os ensinamentos de Jesus.
Se você ama espontaneamente, sem esperar nada em troca, se você ama principalmente os que estão próximos, sem ter que suportar, mas ama com boa vontade e alegria, saiba que este é o amor de Deus, agindo no seu coração.
Não ame somente a quem te agrada, ame a todos...
Sem distinção... Simplesmente... Ame.


mensagem retirada do site lagoinha.com

ESTERIÓTIPOS DOS ORIXÁS.

Do orixá carregamos muito de suas virtudes, muito de seus defeitos,

muito de sua personalidade mítica. Todo escrito sobre candomblé faz

alguma referência a isso, o que se chamou de arquétipo, ou, mais

precisamente, estereótipo. Na verdade, procuramos comprovar a

existência de um padrão “arquetípico” entre o povo-de-santo.

Vamos falar apenas dos orixás de culto mais difundido

em São Paulo, pois, em geral, a mãe-de-santo constrói sua idéia

estereotipada do filho-de-santo a partir do convívio com filhos consagrados

a este ou àquele orixá. Ou o contrário: a identificação do orixá leva em conta

o “jeito” do filho que está chegando à casa. Em casas constituídas nos ritos

do candomblé há alguns anos, portanto com um grande número de

iniciados, os babalorixás e ialorixás mostraram grande facilidade de falar

sobre os tipos. Os que estão começando dizem, por exemplo, “Ah, deste

orixá eu não tenho ninguém em casa”, ou, “desse só tenho uma menina”.

Em casas novas de ialorixás que, entretanto, tiveram longo tempo de

convivência com o candomblé na casa de seus pais-de-santo, elas terão tudo

na ponta da língua.


EXU

Os filhos de Exu são agitados. Gente irônica, manhosa, perigosa,

viril . É gente que fala fácil; sexualmente ativado.

Gente de Exu adora a rua, adora a cachaça. E é gente muito rápida. Pensou,

já fez.. Gente de Exu é perturbada, vive tendo problema com a polícia. É

gente perversa, matreira, que gosta de pegar as pessoas à traição. Tem que

saber levar. Exu pra bagunçar uma casa, só ele. Mas não guardam rancor.

Tipo mítico-geral: Ambivalente, inclinado à maldade, depravação e

corrupção. Intriguentos e egoístas.

Queto : Contraditório, alegre, brincalhão, inteligente e amante

das comidas e bebidas. Também mal-educado, sujo, manhoso e astuto.

Briguento e mulherengo.

OGUM

É briguento, conquistador. Gente de Ogum adora pisar nos outros.

Não é o tipo carinhoso, mas muito potente sexualmente, sendo o que é,

irmão de Exu. É guerreiro, mas é covarde: é o tipo do cara que bate na

mulher. E é o tipo da mulher teimosa feito a peste. Ogum é sempre do

contra. Vai sempre em frente: são gananciosas e autoritárias. É do tipo: “o

que que é, não gostou?” quando se sente observado por alguém.

Desconfiado. Apesar de amante da ordem e da organização, não é afeito ao

trabalho intelectual.

Tipo mítico-geral: Violentos, briguentos, impulsivos. Obstinados,

arrogantes e indiscretos, sinceros e francos.

Queto : Emotivos, extrovertidos, impacientes, intolerantes.

Trabalhador, rápido e enérgico. Audacioso, arrebatado e viril. Afeitos aos

ofícios mecânicos e às profissões militares.

Nagô : Irascíveis, violentos, reservados, pouco

amigáveis. Suas brigas terminam em sangue.

Angola : Empreendedor, batalhador, conquistador, de gênio difícil.

OXÓSSI

É o provedor. Mas trabalha hoje pra comer hoje; jamais fica rico.

Gente de Oxóssi é desconfiada; está sempre à espreita. E são solitários,

gostam da solidão, de estar a sós. Mas não vivem sem amor; precisam dele

embora não confiem no parceiro. Os filhos de Oxóssi são curiosos,

observadores, percebem tudo com rapidez. Sentem-se os donos, bonitos,

acham-se lindos e gostam do que é bom. São espontâneos. Um filho de

Oxóssi é magro e quieto. Concordam agora e discordam depois.

Tipo mítico-geral: Espertas e rápidas, sempre alertas. Curiosos,

hospitaleiros, amantes da ordem. Sempre buscando coisas novas e novas

moradias.

Queto : Esbelto, ágil, observador, curioso, mas introvertido e

discreto. Costumam ser amáveis, calmos e estimados.

Nagô: Alegres, prestativos, infantis.

Angola: Refinado, curioso, pouco perseverante, instáveis afetivamente.

OMULU/OBALUAIÊ

Gente pessimista. Deprimida e depressora. Aquele tipo que é capaz de

baixar o astral, mas é um cara muito verdadeiro, muito na dele. Filhos de

Omulu oscilam entre a docilidade e a rabugice. Povo de Omulu não fica rico

nunca, nem é guloso. Ruins, porém honestos. Não gostam de conversa.

Convivem com problemas de saúde. Acham que são sempre os sofredores,

que ninguém os compreende. Gostam de tudo dentro da linha. Mas estão

sempre reclamando. É perverso e prestativo ao mesmo tempo.

Tipo mítico-geral: Masoquistas, insatisfeitas, mas que podem bem ser

altruístas.

Queto : Reprimido, frustrado, amargo e vingativo. De difícil

relacionamento, podem ser sábios e profundos. Têm grande senso de

responsabilidade.

Nagô pernambucano: Feios, ensimesmados, anti-sociais.

Angola : Pessimista, desajeitado, de mentalidade

autodestrutiva.

XANGÔ

O povo de Xangô é cheio de conversas. Adora o poder, mas são

desajeitados. É difícil lidar com gente de Xangô. Como se sentem reis, são

invejosos. Não têm meio-termo, e são de uma teimosia atroz. Xangô é justo

à moda dele, pois ele visa sempre o poder. Adora hierarquia — quando está

por cima. Os de Xangô são fisicamente fortes e têm tendência a enriquecer,

como os de Oxum. É gente estourada. Um filho de Xangô gosta de ter

muitos casos de amor. São intransigentes e não gostam do que não

entendem. Eles sempre falam com você com um pé atrás. São gananciosos.

São vaidosos mas não sabem se vestir bem. Têm afinidade com

engenheiros, juízes e professores. Fala pouco, escreve muito e age

ocultamente.

Tipo mítico-geral: Voluntariosas e enérgicas. Sedutoras e amantes da

coerência. Severos, benevolentes e com senso de justiça.

Queto: Sensual, conquistador, libertino e marido infiel.

Ciumento e vingativo. Valente e cruel.

Nagô : Combativo mas covarde em relação à morte,

escandaloso, preguiçoso, inteligente, esperto, desconfiado, gosta de testar as

coisas ele mesmo, cético, inclinado às aventuras amorosas. Furioso, são

intratável, sério e nada brincalhão. Fala demasiadamente.

Angola fluminense: Bon vivant, libertino, visceral, guloso.

OXUM

Gente de Oxum é a vaidade, a coqueteria. É o padrão de mulher

brasileira. Gosta de luxo, riqueza, pois Oxum é o orixá do ouro. Os homens

de Oxum também são a vaidade em pessoa, às vezes vaidade puramente

intelectual. Mas toda a gente de Oxum leva aquele tipo físico de formas

arredondadas, o tipo quase gordinho. Gente de Oxum é extremamente

sedutora, ardilosa no amor, mas acaba sempre sozinha. Adora uma pirraça.

Oxum não leva desaforo para casa. Gente gastona, mas que nunca fica na

miséria. Há gente de Oxum meiga e gente sofredora; carinhosas umas,

sofredoras outras. Não gostam de perder uma guerra, às vezes são falsas,

mas dão ótimas amigas. É gente brava e fofoqueira. Excelentes feiticeiras.

Tipo mítico-geral: Pessoas graciosas, vaidosas, amorosas e

voluptuosas, porém reservadas. Voluntariosas e desejosas de ascensão

social.

Queto : Sensuais, vaidosas, às vezes levianas e fúteis.

Ambiciosas e astutas. Hipócritas e interesseiras.

Nagô : Vaidosas, femininas, sedutoras, à vontade,

espertas, podem se contentar com pouca coisa, atraentes, amáveis.

Angola : Preguiçosas, descuidadas, interessadas e coquetes.

LOGUN-E

Logun-Edé é metá-metá. Meio Oxóssi, meio Oxum. Inconstantes.

Somem por seis meses e quando voltam dizem “Oi!”, como se tivessem ido

ali comprar cigarro. São pedantes, metidos, sabem que são bonitos, tiram

proveito disso. Pessoas de Logun são amáveis, mas têm o nariz empinado.

Logun gosta muito de viajar. Mas é um menino e não sabe direito o que

quer na vida. Inconstantes, são volúveis no amor.

Tipo mítico-geral: Leva características de Oxum e Oxóssi (Erinlé).

Queto : Orgulhoso de sua beleza física. De trato fácil, bem

humorado, calmo e educado. Romântico e intuitivo.

Nagô : (Não cultuado)

O/IANSÃ

A palavra assanhada da língua portuguesa vem de Iansã, de uma tal

baiana Maria de Iansã; precisa falar mais? Iansã é a sensualidade em pessoa.

Gente de Iansã é , atacada. E é gente bonita, bonita de morrer. Adora

usar o outro. Mas não admite traição e quando ama é capaz de ir ao inferno

para defender o ser amado. É gente explosiva, inteligente, que bota pra

quebrar. Só que o povo de Iansã é de gente metódica. São valentes,

malcriadas e respondonas. Tem gente de Oiá incapaz de segurar a língua.

Iansã precisa de uma segunda pessoa pra se sentir segura. Oiá só gosta de

ouvir o que quer. Mas você pode contar com alguém de Oiá : se é amigo, é

amigo. É espalhafatosa, está sempre festejando. Fala pelos cotovelos;

quando intelectuais são brilhantíssimas.

Tipo mítico-geral: Audaciosas, poderosas e autoritárias. Sensuais,

voluptuosas, mas leais. Ciumentas de seus maridos, por elas freqüentemente

enganados.

Queto : Enérgicas, dinâmicas, nervosas e irrequietas. Atrevidas,

egoístas, corajosas e coléricas. Não se importam com a opinião alheia, mas

não toleram a rivalidade. De intensa vida sexual.

Nagô : Exibicionistas, sutis e sedutores, não

indulgentes, mudam de amor freqüentemente, rebeldes. São francos e

odeiam traição e fingimento. Francos, falam na cara. Sentem-se superiores.

Inteligentes e corajosos

Angola : Vivas, conquistadoras, cruéis e até coléricas.

Ativas e ciumentas.

O

Obá é mulher sofrida, sem atrativos, melancólica, infeliz,

trabalhadeira. Gente de Obá trabalha feito burro de carga. Ao mesmo tempo

guerreira. Povo de Obá é ingênuo, fácil de ser passado para trás. Pessoas

boas, mas estabanadas. As mulheres de Obá se sentem mal-amadas.

Reclamam muito da vida. São excelentes empregadas domésticas.

Agressivas e persistentes.

Tipo mítico-geral: Valorosas mas incompreendidas. Ciumentas e não

correspondidas. Buscam satisfação material para compensar os insucessos

afetivos.

Nagô : Mulheres sem atrativos que se deixam enganar.

NANÃ

Gente de Nanã já nasce velha. Você vê uma criança de Nanã e ela está

lá, sem brincar, fazendo suas coisinhas sem pressa, mas com determinação.

Nanã é excelente pessoa mas, pisou no território dela, ela mata, ela se vinga.

Agora, filhos de Nanã são leais, se você for leal a eles. Nanã mata o outro de

pirraça, gosta muito de rogar praga. Podem ser volúveis. São muito

trabalhadeiras.

Tipo mítico-geral: Calmas, benevolentes, gentis, equilibradas e

seguras. Lentas no trabalho e dóceis com as crianças.

Queto : Trabalhadeiras, assexuadas, sem vaidade. Intolerantes,

ranzinzas. Austeras, previdentes e com fortes princípios morais.

Angola : Espírito velho, taciturno e resmungão. Vingativas

e muito trabalhadeiras.

IEMANJÁ

Povo de Iemanjá. Eta povo linguarudo. Nunca conte um segredo para

um filho de Iemanjá. É gente super maternal, mas é gente perigosa,

traiçoeira e calculista, porque você nunca sabe o que uma pessoa de Iemanjá

está pensando. Verdadeiras incógnitas. . É povo briguento. Se você se põe nas mãos de alguém de Iemanjá,

pode ficar tranqüilo: terá conselhos, orientação, mas sempre tratando você

como filho. Filhos de Iemanjá ostentam uma calma aparente, só aparente.

Gente chorona, perturbada., bom coração. São

quietas e cansadas. É gente arisca. Perceptiva, sabe tudo que o outro está

pensando. Podem ser boas psicólogas.

Tipo mítico-geral: Fortes, voluntariosas, protetoras e altivas.

Maternais, justas, porém formais e incapazes de perdoar (conforme

etnografia de Cuba).

Queto Séria, digna, sensual, fascinante. Maternal e possessiva.

Independente e fechada.

Nagô : fingidas, falsas, amigáveis, protetoras e

maternais, pacientes, covardes, preguiçosas, não confiáveis, incapazes de

guardar um segredo.

Angola : Irritável, instável, generosa, maternal e solitária.

OXALÁ-OXAGUIÃ

Todo orixá funfun (branco) é lunático. Oxaguiã, o Oxalá jovem, tem

tudo de Oxalufã, o velho, só que é guerreiro, briguento, agitado. ·s vezes

perde a razão e pisa no que tiver na frente. De repente, fica parado,

pensativo. É valente e detesta perder uma parada. Gente de Oxaguiã é muito

organizada — só que a ordem sempre está na cabeça deles e a gente não

percebe. Detestam ser criticados. Oxaguiã dá filhos guerreiros, lutadores.

São mentirosos e gostam de ser donos do pedaço. São fechados e nunca

dizem o que sentem, mas quando se apaixonam, se apaixonam mesmo.

Oxaguiã é brasa escondida. Se ofendido, levanta com uma ira que você não

sabe. Gente de Oxaguiã não cai, vai à luta. Não gostam de luxo, vestem-se

com simplicidade. ·s vezes cismam que nada está bom. Quando você vai

com o milho, Oxaguiã já vem com o fubá.

Queto : Valente, jovem, poderoso e generoso. Inteligente,

romântico, sensível, e intuitivo.

Nagô : Incansáveis, não param quietos, intrometidos,

introvertidos. Assim como os de Oxalufã, perdoam mas quando punem

alguém o fazem para sempre.

OXALÁ-OXALUFÃ

Pessoa de Oxalufã, Oxalá velho, é fria, lenta e lerda. Mas gente de

Oxalá é brilhante, apesar da calma. Gente de Oxalufã chega sempre

atrasado, mas são portadores de grande bondade — desde que eles possam

mandar, dar a última palavra. Gente de Oxalá fica com muita raiva, mas é

passageira, sempre acaba perdoando. Oxalufã é uma pessoa muito simples,

mas sabe ser teimoso e ruim. O povo de Oxalufã é sovina, não dá até logo

pra não gastar a mão. Ranzinzas, chatos, Entendem de tudo...

Tipo mítico-geral: Calmas, teimosas, respeitáveis. Reservadas e

resignadas

Queto : Sábio, inabalável, perseverante, íntegro e tolerante.

Generoso, não perdoa quando ofendido. Lento e quieto. Impotente e

cansado.

Nagô : Calmos mas explosivos, pacíficos, fazem tudo

com dificuldade, mas têm inteligência e grande sabedoria. Dóceis, estáveis e

serenos. Imparciais.

Angola : Calmo, lento, cabeçudo, reservado e obstinado.

Não esquece as ofensas.

A constituição desses tipos se repetem nas diferentes nações.

Isto mostra uma acentuada tendência no sentido da

reprodução reiterada dos conteúdos míticos que dão corpo ao Candomblé, o

que já não acontece na Umbanda, que, apesar de cultuar os orixás, esqueceu

seus mitos. Entretanto, em termos de personalidade e conduta, acredita-se,

no candomblé, que um só tipo, um só orixá geral, não é suficiente para a

definição da pessoa. Primeiro, porque à qualidade do orixá pessoal (mais

velho, mais novo; mais guerreiro, mais pacífico; mais do meio do rio, mais

junto à margem do rio etc.) corresponderão variações, da mesma maneira

que haverá variações nas cores, nas ferramentas, nos objetos do

assentamento etc., enfim em tudo aquilo que se denomina no candomblé de

“fuxico” do santo.

Além das variações da qualidade — como mostramos no caso de

Oxalá: Oxaguiã, o jovem e Oxalufã, o velho — e daquelas decorrentes do

“fuxico” daquele santo em particular, somos também regidos por um

segundo orixá, o juntó, ou adjuntó. É comum se ouvir falar: “Sou de Oxalá,

mas quem me rege é Iemanjá Ogunté”. Outros vão dizer: “Ele é duma

Iemanjá muito velha e calma como Nanã, mas o juntó é um Ogum bravo.”

Depois, dependendo do rito, vem o terceiro santo, o quarto etc. Há

casas africanizadas que assentam apenas o orixá principal. Outras assentam

o orixá principal e juntó e mais o Exu do orixá. Há casas que assentam sete

santos. Cada situação gerará um “fuxico” da casa, os chamados “carregos”

de santo, ou “enredos”.

Vimos que os tipos orixá-pessoa contemplam uma variedade de

virtudes e defeitos. Servem no candomblé para justificar as ações do filho.

Mas os tipos não são tão definitivamente claros. Há uma grande

flexibilidade que permite a alguém ser tanto de Iemanjá como de Oba , de

Nanã etc. Em geral, também conta na definição do orixá da pessoa o

interesse da casa em cultuar tal ou qual orixá.

O "pai-de-santo" dirá ou " de santo ": todo orixá tem seu lado bom e seu lado ruim, e

todo homem e toda mulher tem seu lado bom e seu lado ruim. E isto está

inscrito no destino da pessoa.

O interessante é que, não importa qual seja o seu orixá, o iniciado, e

também o cliente, acaba sempre encontrando no tipo-orixá do seu santo

justificativas para suas ações e modos de ser. Que já é tempo de erradicar o

sentimento de culpa, como queria a psicanálise.

Essas virtudes e defeitos, esses modos de ser, são constantemente

referidos aos mitos e lendas dos orixás, quer aprendidos por tradição oral,

quer aprendidos por meio de publicações etnográficas e religiosas1.

O importante aqui é que o orixá tem muito de humano. Ao contrário

da hagiografia católica (o santo é sempre virtuoso e, se teve defeitos, os

renegou no ato do arrependimento), a tradição oral e escrita do candomblé

enfatiza, como constitutivo do orixá, tudo aquilo que dele fez um herói, um

deus, um poderoso — não importa o quê.