sábado, 4 de dezembro de 2010

EPARREY OYÁ!

ya - Yánsàn

ya (Oiá) é a divindade dos ventos, das tempestades e do rio Níger que, em iorubá, chama-se Odò ya.

Foi a primeira mulher de Xangô e tinha um temperamento ardente e impetuoso. Conta uma lenda que Xangô enviou-a em missão na terra dos baribas, a fim de buscar um preparado que, uma vez ingerido, lhe permitiria lançar fogo e chamas pela boca e pelo nariz. Oiá, desobedecendo às instruções do esposo, experimentou esse preparado, tornando-se também capaz de cuspir fogo, para grande desgosto de Xangô, que desejava guardar só para si esse terrível poder.

Oiá foi, no entanto, a única das mulheres de Xangô que, ao final do seu reinado, segui-o na sua fuga para Tapa. E, quando Xangô recolheu-se para baixo da terra em Kossô, ela fez o mesmo em Irá.

Antes de se mulher de Xangô, Oiá tinha vivido com Ogum. Como a aparência do deus do ferro e dos ferreiros causou-lhe menos efeito que a elegância, o garbo e o brilho do deus do travão. Ela fugiu com Xangô, e Ogum, enfurecido, resolveu enfrentar o seu rival; mas este último foi à procura de Olodumaré, o deus supremo, para lhe confessar que perdoasse a afronta. E explicou-lhe: “Você, Ogum, é mais velho do que Xangô! Se, como mais velho, deseja preservar sua dignidade aos olhos de Xangô e aos outros orixás, você não deve se aborrecer nem brigar; deve renunciar a Oiá sem recriminações”. Mas Ogum não foi sensível a esse apelo, dirigido aos sentimentos de indulgência. Não se resignou tão calmamente assim, lançou-se à perseguição dos fugitivos .Mas Iansã escolheu Xango.


A ORIGEM DO NOME IANSÃ


A origem de seu nome Iansã esta ex-Daomé, onde o culto de Oiá é feito em Porto Novo sob o nome de Avsan, no bairro Akron ( Lokoro dos Iorubás) e sob o de Absan, mais ao norte em Baningbê. Esses nomes teriam por origem a expressão Aborimesan (“com nove cabeça”), alusão aos supostos nove braços do delta do Níger.

Uma outra indicação da origem desse nome nos é dada pela lenda da criação da roupa de Egúngún por Oiá. Roupas sob as quais, em certas circunstâncias, os mortos de uma família voltam a terra a fim de saudar seus descentes. Oiá é o único orixá capaz de enfrentar e de dominar os Egúngún.

Oiá lamentava-se de não ter filhos. Esta triste situação era conseqüência da ignorância a respeito das suas proibições alimentares. Embora a carne de cabra lhe fosse recomenda, ela comia a de carneiro. Oiá consultou um babalaô, que lhe revelou o seu erro, aconselhando-a a fazer oferendas, entre as quais deveria haver um tecido vermelho. Este pano, mais tarde, haveria de servir para confeccionar as vestimentas dos Egúngún. Tendo cumprido essa obrigação, Oiá tornou-se mãe de nove crianças, o que se exprime em iorubá pela frase: “Iyá m mésàn, Origem de seu nome Iansã.


ORIGEM DO NOME OYÁ


Quanto ao seu outro nome ya, há uma lenda que faz alusão à sua origem explicando-a por um jogo de palavras. Nela se conta “como uma cidade chamada Ipô esta ameaçada de destruição, invadida pelos guerreiros tapás. Para preserva-la foi feita uma oferenda das roupas do rei dos ipôs. Esse traje era de tal beleza que as galinhas do lugar puseram-se a cacarejar de surpresa – razão pela qual, diz-se gravemente na lenda, as galinhas cacarejam até hoje, sempre estão em presença de qualquer coisa estranha. Esse prestigioso traje foi rasgado (ya) em dois para servir para servir de almofada de apoio às cabaças de oferendas. Apareceu então, misteriosamente, uma água que se espalhou (ya), inundando os arredores da cidade e afogando os agressores tapas. Quando os habitantes de Ipô procuraram um nome para este rio que surgiu e se espalhou, ya, quando as roupas foram rasgadas, ya, decidiram chamá-lo Odò ya.


O USO DOS CHIFRES DE BÚFALO


Existe uma lenda, conhecida na África e no Brasil, que explica de que maneira os chifres de búfalo vieram a ser utilizados no ritual do culto de Oiá-Iansã:

“Ogum foi caçar na floresta. Colocando-se à espreita, percebeu um búfalo que vinha em sua direção. Preparava-se para mata-lo quando o animal, parando subitamente, retirou sua pele. Uma linda mulher apareceu diante de seus olhos. Era Oiá-Iansã. Ela escondeu a pele formigueiro e dirigiu-se ao mercado da cidade vizinha. Ogum apossou-se do despojo, escondendo-o no fundo de uma depósito de milho, ao lado de sua casa, indo, em seguida, ao mercado fazer a corte à mulher-búfalo. Ele chegou a pedi-la em casamento, mas Oiá recusou inicialmente. Entretanto, ela acabou aceitou, quando, de volta à floresta, não mais achou a sua pele. Oiá recomendou ao caçador não contar a ninguém que, na realidade, ela era um animal. Viveram bem durante alguns anos. Ela teve nove crianças, o que provocou o ciúme das outras esposas de Ogum. Estas, porém, conseguiram descobrir o segredo da aparição da nova mulher. Logo que o marido se ausentou, elas começaram a cantor: “ Máa je, máa um, àwò r nb nínú àká”,

Você Pode beber e comer (e exibir sua beleza), mas a sua pele está no deposito (você é um animal).

“Oiá compreendeu a alusão; encontrando a sua pele, vestiu-a e voltando à forma de búfalo, matou as mulheres ciumentas. Em seguida, deixaram os seus chifres com os filhos, dizendo-lhes: Em caso de necessidade, batam um contra o outro, e eu virei imediatamente em vosso socorro. É por essa razão que chifres de búfalos são sempre colocados nos locais consagrados a Oiá-Iansã”


Quando se manifesta sobre um dos iniciados, ela está adornada com uma coroa semelhante à dos reis africanos , cujas franjas de contas escondem o seu rosto. Ela traz um alfanje em uma das mãos e um espanta-moscas feito de cauda de cavalo na outra. Suas danças são guerreiras e, se Ogum está presente, ela se engaia num duelo com ele, lembrança, sem dúvida, de suas antigas divergências. Ela evoca também, através de seus movimentos sinuosos e rápidos, as tempestades e os ventos enfurecidos. Seus fiéis saúdam-na gritando: “ Epa Heyi ya!”.

 

Notas: Iansã é uma das mães Orixás mais cultuadas dentro da Umbanda e do Candomblé. Seu nome vem do yorubá - Iyá Mesan (a mãe de nove filhos). Iansã simboliza o aspecto guerreiro e protetor da Mãe Divina. É o arquétipo da mulher determinada, que vai a luta e não espera as coisas acontecerem.

Como vibração divina, Iansã é o próprio axé que movimenta toda Criação. É também força direcionadora dentro da vida dos seres humanos. Senhora da Lei, és aplicadora e desencadeadora dos processos cármicos ligados a justiça divina. Mas é também, amparadora e guardiã dos trabalhos dármicos (missão) desempenhados por diversas consciências encarnadas aqui na Terra.

Seu elemento é o ar na sua forma mais revolta. Muito comum também associá-la as tempestades e a qualquer tipo de evento climático. Na Umbanda está ligada as pedreiras, devido a sua forte ligação com Xangô.

Tem como símbolos principais o raio e a espada. O raio é o símbolo da Justiça Divina atuando no plano físico. A espada é o instrumento da Lei, que zela, protege e ampara a todos. Em um nível mais profundo e romântico, o raio é a força que ilumina a trevas do ego, iluminando assim, toda nossa sombra psíquica e mostrando-nos o caminho verdadeiro para a auto-realização espiritual. A espada é o símbolo da luta pessoal, do melhoramento, da morte dos próprios vícios e viciações.

Sua saudação é o Eparrei! (entoado de forma vibrante), som que faz referência ao barulho das trovoadas, além de ser uma saudação a força dos raios e tempestades. É um poderoso mantra de defesa espiritual, que pode ser vibrado mentalmente dentro do chacra frontal em situações de assédios e demandas espirituais.

Seu toque dentro da Umbanda é o barravento, ritmo vindo da cultura bantu, percutido de forma veloz, que potencializa o axé movimenador da mãe, além de ser o toque ideal para que suas falangeiras dancem e girem pelo terreiro, “horizontalizando” e trazendo para o campo físico toda vibração e energia de Iansã.

Iansã também é considerada a senhora dos eguns (espíritos desencarnados). É ela que, depois da partida do cordão de prata, direciona os espíritos para o plano espiritual, depositando todos nas mãos amorosas de papai Obaluayê, Orixá responsável pelas passagens de um plano para o outro. Quando cultuada dessa forma, ganha o nome de Iansã lIgbale. ou Bale é um nome africano para “casa dos mortos” ou cemitério.

Suas festas e homenagens acontecem no dia 4 de dezembro, devido ao sincretismo católico. Sua cor é o vermelho, branco para Bale. Seu número o nove.

LENDA: IANSÃ E O NOVO RIO

Também chamada de Oiá, Iansã é a deusa dos ventos e das tempestades. Esta lenda, apesar de não fazer referência alguma aos seus dons meteorológicos, nos mostra como ela salvou o seu reino da invasão.

O episódio começa com um rei muito preocupado. Naquele tempo, as preocupações reais estavam sempre ligadas a guerras e aqui não é diferente. Assim, após muito pensar, o rei decidira ir consultar-se com o deus dos oráculos para encontrar uma solução para o caso.

- Minhas apreensões crescem a cada dia, Orunmilá! – disse ele, face a face com o deus.

- Muito bem, diga quais são suas apreensões – disse o deus, preparando já o seu material divinatório.

- Cheguei a uma conclusão aflitiva sobre uma grande deficiência que pesa sobre o meu reino!

- Bem sei qual seja – disse Orunmilá, sem a menor surpresa, como convém à classe dos adivinhadores.

O rei parou um momento e, como estivesse muito angustiado, resolveu encurtar o negócio.

- Desculpe, esqueci-me dos seus maravilhosos dons!- disse ele, aliviado. – Para poupá-lo, então, de algo que já conhece perfeitamente, vou perguntar-lhe, apenas: que devo fazer acerca disto?

Orunmilá permaneceu absolutamente sereno.

- Diga sempre qual é o problema – disse ele, em seguida. – Aqui como em tudo, há regras.

- Regras? – disse o rei, atrapalhado.

O rosto do oráculo permaneceu sereno. Os olhos, no entanto, ganharam uma certa expressividade.

- Oh, sim, as regras da adivinhação! – disse o rei. – Passo a passo, aquele negócio todo, não é?

Silêncio profético-sapiencial.

- Bem – disse o rei, recomeçando. – O fato é que, depois de muitas observações, cheguei a conclusão de que as fronteiras do meu reino são totalmente inseguras!

- Já sabia – disse Orunmilá, serenamente.

- Se já sabe tudo por que razão, então, devo repetir as coisas? – disse o rei, impacientando-se.

Orunmilá, sem jamais perder a fleuma, retrucou:

- Ninguém repete nada. Você diz uma coisa, eu digo que já sei, você vai adiante e eu também, até o momento do oráculo. Ninguém repete nada, entendeu?

- Está bem, está bem! Diga, então, o que devo fazer para tornar seguras as minhas fronteiras!

Tudo dito, Orunmilá chacoalhou os búzios e lançou-os sobre o chão.

- O que diz aí? – falou o rei, tentando ler no amontoado de conchinhas alguma coisa.

- Diz que você deve oferecer aos deuses uma peça de tecido negro.

O rei aproximou a cara dos búzios, com ar de extraordinária curiosidade.

- Um pano negro, é? – disse ele, abismado. Em seguida, adotando um ar de cumplicidade afável, completou – diga-me uma coisinha: onde, exatamente, está dito isso?

Após efetuar um longo estudo das peças, ele próprio exclamou, afinal:

- Já sei, sabichão! É esta conchinha escura aqui, não é?

O ar severo de Orunmilá, porém, fê-lo silenciar instantaneamente.

- Muito bem, e depois? – disse o rei.

- Este tecido deverá ser rasgado por uma mulher virgem.

- Rasgado por uma mulher virgem! – repetiu o rei, maravilhado.

- O que eu falei sobre repetições? – disse Ifá, perdendo de vez a paciência.

- Perdão, grande deus! E o que esta jovem deverá fazer com os pedaços do pano preto rasgado?

- Que ela os lance sobre a parte mais desprotegida do seu reino. E adeus.

O rei, maravilhado daquela receita, pensou muito e chegou à conclusão de que sua filha deveria ser a mulher encarregada de cumprir o oráculo. Abandonando às pressas a tenda do deus, ele correu, então, por todo o reino, em busca do tal tecido preto.

Infelizmente, não havia tecido preto em parte alguma.

- Como não, alimárias? – esbravejou ele às costureiras do reino.

- Perdão, alteza, mas quem vai usar um tecido preto debaixo deste sol causticante?

- Vocês todas, se eu perder a guerra! Alimárias! Animais de tração, todas vocês!

Tomado, então, pelo mais puro desespero, o rei correu até o palácio real para chamar a sua filha.

- Iansã! Iansã! – bradou ele, alucinadamente, pelos corredores.

De um dos quartos, surgiu uma jovem negra de beleza encantadora a trajar um manto todo preto. Tomando-a nos braços, o rei despejou-lhe no rosto o mau-hálito dos aflitos:

- Minha fi8lha, venha comigo! Só você pode salvar nosso reino!

Arrastada à força para fora do palácio, a jovem arregalou os seus belos olhos amendoados.

- Para onde está me levando, meu pai? – disse ela, envolta no manto preto.

Para piorar as coisas, assim que ambos chegaram ao local onde deveria dar-se a invasão, recebeu a ordem de despir imediatamente o manto.

- O que disse, meu pai?- gritou ela, arregalando ainda mais as amêndoas oculares.

Sem lhe dar ouvidos, o rei começou a puxar o manto da jovem até quase esgarçá-lo.

- Não, pare! Por que devo despir-me a céu aberto? – gritou ela.

- É para salvar o reino! O oráculo ordenou que uma virgem pura e imaculada rasgue um tecido negro no ponto mais vulnerável da cidade. Vamos, faça o que eu digo!

Então, ao saber que era para uma causa tão nobre, Iansã acatou finalmente a ordem.

- Está bem, eu o farei – disse ela, despedindo-se, num único gesto, de seu manto negro.

A cor da sua pele era tão escura quanto a do manto que despira. Na verdade, parecera restar em seu corpo apenas um pequeno pedaço do tecido aderido um pouco abaixo do seu ventre.

- Tire-o também! – bradou o pai, temeroso de que a ausência daquele retalhinho pudesse comprometer o arranjo. Logo, porém, desfez-se o engano, e a jovem pôde começar a sua parte no trabalho.

- Vamos, rasgue-o! – disse o rei, e Iansã cortou a primeira tira do tecido negro.

Neste instante, porém, a jovem foi tomada por um júbilo misterioso, que a fez entoar uma cantiga.

- Oiá, ela cortou! Oiá, ela cortou! – cantarolava ela, como num transe.

A música, na verdade, era bem pobrezinha, limitando-se à repetição infinita deste estribilho.

O milagre, no entanto, aconteceu assim que a primeira tira caiu sobre o solo: instantaneamente ela transformou-se num espesso fio de água negra e corrente.

- Corte mais! Corte mais! – gritou o rei, a saltitar de alegria.

Iansã cortou logo outra tira e largou-a no mesmo lugar e, assim, foi cortando e cantando, enquanto aos seus pés formava-se um rio de águas negras e caudalosas.

E tanto foi que, quando a deusa terminou, estava vestida outra vez, porém não mais do mesmo manto, mas das águas negras de Odô Oiá, o novo rio que se formara nos limites extremos do reino.

(Retirado do livro: As melhores histórias da Mitologia Africana, Autores: A. S. Franchini e Carmen Seganfredo)

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

O USO DO CÔCO NOS TERREIROS

Os povos do Caribe (particularmente os cubanos), pela impossibilidade de obterem o obi, passaram a utilizar o

coco em sua substituição, inclusive num tipo de jogo denominado "Oráculo de Biaguê", onde quatro pedaços de coco são usados em substituição aos quatro segmentos do obi.

A utilização do coco é de tal forma popularizada, que este vegetal chega a ser chamado de obí, designando-se

o verdadeiro obí, como obí-kola. O coco é utilizado como oferenda principal aos Orixás, Eguns, Exús e até mesmo a Ori, entrando em muitas formas de borí. Quando Obatalá, dono do coco, reuniu todos os Orixás para dar-lhes mando e hierarquia, isto foi feito embaixo de um coqueiro. Obatalá colocou aos pés de cada Orixá um coco partido, por isso, todos os Orixás têm direito ao coco, embora o coco inteiramente descascado, seja um direito exclusivo de Obatalá. Todos os Orixás sentaram-se ao redor do coqueiro para ouvirem com muito respeito e atenção as instruções de Obatalá, com exceção de Obaluaye que se mostrou relutante em aceitar as ordens e orientações que lhe eram dirigidas. Obatalá no entanto, conseguiu convencê-lo e, com muita paciência, fez com que acatasse suas ordens e orientações. Desde então, não é possível que se proceda a nenhum ritual sem que se ofereça antes, coco aos Eguns e aos Orixás.

AS OFERENDAS DE COCO.

Sempre que se quiser oferecer coco a Egun, Exú ou Orixá, o seguinte procedimento deve ser adotado: Escolhe-se um coco maduro, rompe-se a casca externa, retira-se a parte comestível e joga-se a casca grossa fora. A casca mais fina (espécie de película que fica agarrada à parte branca) é mantida, exceto quando a oferenda é destinada à Obatalá, quando somente a parte branca é ofertada). Corta-se quatro pedaços de tamanhos mais ou menos equivalentes, lava-se bem estes quatro pedaços, coloca-se num prato branco com a parte branca virada para cima e arreia-se no pé do Orixá ao qual se destina a oferenda.

FAÇA VOCÊ MESMO UMA OFERENDA PARA OS ORIXÁS



O Ano está acabando é sempre é muito bom fazer,os algumas entregas, oferendas, seja de agradecimento, limpeza, prosperidade. Portanto aqui posto algumas oferendas que vocês mesmos podem faze-las lembrando-se em preservar a fauna e a flora, despachando nos pontos de força somente os materiais orgânicos. Axé!

OFERENDAS A EXÚ

- Defesa contra inveja e olho-grande.

Coloca-se um coco seco com uma vela acesa em cima, onde deverá permanecer por três dias consecutivos. No terceiro dia, despacha-se numa encruzilhada de quatro esquinas.

- Para limpeza da casa.

Pega-se um coco seco, pinta-se todo com uáji, rola-se pela casa de dentro para fora impulsionando-o com o pé esquerdo, como se fosse uma bola. Quando chegar na porta da rua, pega-se o coco com a mão esquerda, leva-se à uma encruzilhada aberta de quatro esquinas e ali, atira-se o coco no meio da encruzilhada com força, para que se quebre.


- Para problemas de saúde.

Pinta-se um coco seco com efun e depois unta-se todo com ori-da-costa ou, na falta deste, manteiga de cacau. Coloca-se o coco num prato branco diante de Exú e acende-se uma vela pedindo-se pela saúde da pessoa enferma. A vela deve ser substituída todos os dias, à mesma hora, e o pedido reiterado. No sétimo dia, logo que a vela termine, o coco deve ser levado e despachado na entrada.

- Para obter um amor.

Tomar banho de água de rio misturada à água de coco verde durante cinco dias seguidos.

- Para arrumar emprego.

Rala-se um coco seco e espreme-se a massa num pano branco. O sumo obtido é misturado a um copo de leite. Mistura-se com água de rio e toma-se três banhos no mesmo dia, sendo um pela manhã, um à tarde e um à noite.Pela manhã saia para procurar o emprego ou fazer entrevista de um.

OFERENDAS A OXOSSI

- Para estabilidade financeira.

Oferece-se, a Oxóssi, uma melancia aberta no meio e regada de caldo de cana; deixa-se diante de Oxóssi por três dias e despacha-se numa mata

- Para obter uma graça qualquer.

Sete romãs ; melado de cana; azeite de dendê; anis estrelado e efun ralado. Coloca-se

os romãs abertos dentro de um alguidar e, sobre eles, os ingredientes relacionados. Deixa-se diante de um altar ( que pode faze-lo em casa ) por sete dias com uma vela acesa, depois, despacha-se numa mata.

OFERENDAS A LOGUNEDÉ

- Pamonha que se oferece a Logunedé para agradecer ou alcançar uma graça .

Rala-se sete espigas de milho verde bem tenras. À massa obtida acrescenta-se coco ralado e açúcar. Envolve- se a massa nas folhas mais tenras que envolvem as espigas, formando uma espécie de trouxinha que se amarra em cima com palha da costa. Mergulha-se as trouxinhas em água fervente e retira-se logo em seguida. Deixa-se esfriar, abre-se as trouxinhas, arruma-se numa travessa ou prato de louça. Ao redor coloca-se fatias de coco seco cortado em tiras, rega-se com bastante mel e oferece-se ao Orixá. Despacha-se numa cachoeira.

- Para obter uma graça.

Pega-se um peixe dourado, limpa-se bem, retira-se as escamas e recheia-se com milho verde (grãos); milho torrado; cebola branca picada; pedacinhos de coco seco e 1 obí picado em pedacinhos pequenos. Costura-se o peixe, tempera-se com azeite de oliva e azeite de dendê; orégano em pó; coentro e vinho branco. Coloca-se para assar no forno. Quando o peixe estiver assado, retira-se do forno, coloca-se numa travessa e cerca-se de agrião ligeiramente fervido. Na boca do peixe introduz-se um papel com o pedido da graça que se deseja obter. Cobre-se com bastante mel de abelhas e vinho branco. Arreia-se nos pés de Logun e, no dia seguinte, despacha-se num rio de águas limpas.

OFERENDAS A IYEMANJÁ

- Para resolver uma situação impossível.

Cozinha-se um inhame grande até que fique bem macio. Coloca-se num recipiente qualquer e amassa-se com um garfo. À massa obtida acrescenta-se: farinha de milho bem grossa; meio copo de melado de cana; um pouquinho de azeite de dendê e um pouco de mel de abelhas. Mistura-se tudo muito bem e modela-se 7 bolas, que são arrumadas numa travessa branca. Sobre as bolas despeja-se bastante melado de cana; pó de efun e pó de peixe defumado. Oferece-se, diante do igbá, com uma vela acesa, deixando por sete dias. Despacha-se na beira do mar somente os ingredientes organicos..

- Para obter uma graça.

Pega-se um melão bem grande, abre-se uma tampa no alto e retira-se a polpa. Coloca-se, dentro da fruta, os seguintes ingredientes: Sete bolinhas de milho vermelho; sete bolas de inhame; sete rodelas cortadas de uma espiga de milho verde; sete peixinhos secos; sete cebolas brancas pequenas; sete bolas de arroz branco cozido; sete bolinhas pequeninas de ori-da-costa; sete colheres de óleo de amêndoa-doce; mel de abelhas e melado de cana. Coloca-se o melão num prato grande ou bandeja forrada com pano branco, diante de Iyemanjá e acende-se sete velas que devem ser renovadas por sete dias, tempo em que o adimú permanecerá diante do Orixá. Despacha-se na beira do mar somente os ingredientes orgânicos.

- Para prosperidade.

Colocar-se, aos pés de Iyemanjá, uma cesta com frutas variadas, cobre-se tudo com bastante folhas de beldroega (Planta herbácea, da família das cariofileas). Deixa-se, diante do Orixá, durante sete dias com uma vela votiva acesa. Findo o prazo, leva-se à uma praia e arreia-se na areia apenas as frutas.

- Para firmar a cabeça de uma pessoa.

Coloca-se a sopeira de Iyemanjá no solo, sobre uma esteira forrada de branco. Em volta coloca-se nove pratos brancos. Dentro de cada prato coloca-se um ovo de pata (cru); um pouco de mel de abelhas sobre os ovos; uma pequena porção de coco ralado e uma pitadinha de pó de efun. Ao lado de cada ovo, dentro dos pratos, acende-se uma vela de sete horas. A pessoa, depois de limpa e lavada com omi eró de folhas frescas de Iyemanjá, veste uma roupa branca e deita-se no quarto do Orixá por uma noite. No dia seguinte colocam-se os ovos dentro de uma cestinha de palha e despacha-se no mar, na sétima onda que bater, somente os ovos..

- Para resolver qualquer tipo de problema.

Pega-se 21 frutas de diferentes espécies, pica-se em pedaços bem pequenos e mistura-se dentro de uma tigela branca. Prepara-se um cozido com vinte e um diferentes tipos de legumes bem picados e cozidos em água pura. Separa-se os legumes em outra tigela branca. Cozinha-se, em água sem sal, vinte e um diferentes tipos de grãos como: milho, canjica, feijões de todos os tipos (menos preto), soja, arroz, etc. e separa-se tudo numa outra tigela. Coloca-se tudo dentro de um balaio, deixando que as coisas se misturem. Por cima coloca-se um pargo fresco de tamanho médio, em cuja boca, introduz-se um obí batá. Enfeita-se tudo com folhas de beldroegas e vinte e uma rosas brancas. Salpica-se vinho branco em cima, enfeita-se com fitas brancas, rendas, etc. Leva-se à praia e entrega-se à Iyemanjá ( deixando só o que está dentro do balaio, ) ,com muito orô e cantigas do Orixá.

- Adimú para agradar Iyemanjá e obter sua proteção.

Descasca-se sete cebolas brancas e frita-se, ligeiramente, em azeite de amêndoas. Depois de bem douradas as cebolas, abre-se nelas, com uma faquinha, um buraco onde se introduz um papel com o pedido que se deseja obter e um grãozinho de ataré. Coloca-se as cebolas num prato branco e se acrescenta, sobre elas, os seguintes ingredientes: Mel de abelhas; melado de cana; um pouco de vinho branco; um pouco de vinho tinto suave e bastante milho torrado. Deixa-se, durante sete dias, diante do igbá do Orixá, sempre com velas acesas. Despacha-se na beira da praia.

OFERENDAS A OXUN

- Para obter-se uma graça qualquer.

Num prato branco arruma-se: 5 ovos de galinha crus; 5 folhas de verbena (Lipia citriodora); uma conta de coral; um pedaço de azeviche; um molho de agrião que deverá ser arrumado em volta do prato, formando uma rodilha. Cobre-se tudo com bastante mel de abelhas, salpica-se pó de efun e arreia-se aos pés de Oxun com 5 velas acesas ao redor. Este adimú permanece por cinco dias nos pés do Orixá e é despachado numa cachoeira.

Para agradar e obter uma graça. Cozinha-se um inhame, amassa-se e mistura-se folhas de agrião bem picadinhas. Com a pasta modela-se 5 bolas. Depois de prontas as bolas de inhame, rola-se as mesmas sobre farinha de acaçá até que fiquem bem envolvidas. Numa travessa de barro, arruma-se as 5 bolas de inhame ao redor de um pargo assado ao forno. Sobre cada bola coloca-se uma pimenta ataré, uma moeda, um grão de milho e uma pétala de rosa amarela. Rega-se com um pouquinho de azeite de milho e bastante mel de abelhas, enfeita-se com galhos e folhas de agrião miúdo.

- Balaio para agradar Oxun. Pega-se um balaio grande com alça e enfeita-se à gosto com panos, fitas e rendas amarelas. Pronto o balaio, coloca-se dentro dele diversos tipos de frutas, sempre em cinco unidades. Acrescenta-se ainda bastante caramelos de leite e enfeita-se com folhas de hortelã. No meio das frutas coloca-se uma boneca vestida de amarelo, representando a própria Oxun. Deixa-se diante do Orixá por oito dias, findo os quais, despacha-se numa cachoeira. A boneca ficará, para sempre, junto ao igbá.

OFERENDAS A NANÃ

- Para problemas de saúde.

Pega-se 13 pargos frescos bem pequenos, arruma-se dentro de um prato de barro e tempera-se com azeite de dendê; mel de abelhas; melado de cana e vinho tinto seco. Arreia-se diante de Nanã e, depois de 13 dias, passa-se o prato com o adimú no corpo da pessoa enferma, leva-se a um pântano e enterra-se com tudo.

- Para saúde.

Pega-se 13 broas de milho, passa-se no corpo da pessoa e vai-se arrumando num alguidar de barro. Depois que todas as broas já estiverem no alguidar rega-se com azeite de dendê e vinho tinto seco, salpicando-se por cima pó de efun. Deixa-se diante do Orixá durante 13 dias, findos os quais, retiram-se as broas, substituindo-as por outras, agindo sempre da mesma forma. As broas retiradas são levadas e despachadas na porta do cemitério. A operação deve ser repetida até que a pessoa fique curada.

- Para obter uma graça.

Pega-se 13 cebolas roxas inteiras e frita-se ligeiramente em azeite de dendê. Prepara-se um pouco de pipoca em azeite de dendê, arruma-se a pipoca num alguidar e enfeita-se com as cebolas fritas. Deixa-se nos pés de Nanã por 13 dias. Despacha-se na beira de uma lagoa.

- Para prosperidade.

Assa-se, no forno, 13 fatias de berinjela. Depois de assadas unta-se com azeite de dendê; mel de abelhas e ori-da-costa. Arruma-se num alguidar e cobre-se com pipocas. Rega-se com vinho tinto seco. Despacha-se, depois de 13 dias, na beira de um poço que tenha água potável.

- Para conseguir uma graça.

Metade de uma cabaça bem limpa por dentro; 13 moedas pequeninas; 13 grãos de milho de pipoca que não tenham estourado ao se fazer pipocas para Omolú; 13 pedacinhos de coco seco; 13 sementes de anis estrelado; azeite de dendê; um pouco de melado de cana; azeite de dendê. Escreve-se, num papel qualquer, o que se deseja de Nanã. Coloca-se o papel dentro da cabaça e coloca-se todos os ingredientes por cima. Completa-se com canjica branca e rega-se com água de flor de laranjeira. Deixa-se nos pés de Nanã por 13 dias. Despacha-se nas águas de um rio.

OFERENDAS A OXUMARE

- Para agradar Oxumarê.

Cozinha-se uma batata doce e amassa-se bem, formando uma espécie de purê. Coloca-se a massa dentro de

um alguidar de barro e tempera-se com pó de ataré; pó de bejerekun; lelekun e bastante azeite de dendê. Arreia-se

para Oxumarê e deixa-se por 15 dias. Despacha-se no mato.

- Para obter uma graça.

Com a massa de uma batata doce cozida, modela-se uma cobra dentro de uma travessa de barro. Ao redor da cobra, arruma-se 15 ovos de galinha nos quais colocou-se, por uma pequena abertura feita numa das extremidades, os seguintes ingredientes (para cada ovo): 1 grão de ataré; 1 semente de fava de aridã; 1 semente de bejerekun e 1 grão de lelekun. Arreia-se diante do Orixá e despacha-se, no dia seguinte, nos pés de uma árvore frondosa.

OFERENDAS A XANGÔ

Para boa sorte.

Pega-se seis ovos de galinha d'Angola e unta-se as cascas com: Azeite de dendê; mel de abelhas; ori-dacosta; pó de efun e pó de osun. Coloca-se numa gamela ou alguidar de barro e sopra-se, em cima, vinho tinto e aguardente de cana. Deixa-se diante de Xangô por seis dias e depois, passa-se os ovos na pessoa, embrulha-se em pano vermelho e despacha-se aos pés de uma palmeira imperial.

- Para obter uma graça.

Compra-se o romã mais bonito que se puder encontrar, abre-se a fruta ao meio no sentido vertical e retira-se,

de seu interior, todas as sementes. Coloca-se, no lugar das sementes, um pouquinho de osun; um pedacinho do talo de comigo-ninguém-pode; um pouquinho de raspa de pó de cedro; um pouquinho de raspa de madeira de irôko; seis ataré; um pouquinho de azeite de dendê; mel de abelhas e um pouquinho de canela em pó. Une-se as duas partes do romã, envolve-se num pedaço de pano vermelho e enrola-se bem, com linha branca. Derrete-se, em banho-maria,uma quantidade de cera de abelhas. Na cera derretida vai-se mergulhando e retirando a bonequinha de pano com a fruta dentro, dando-se voltas para que a cera fique aderida ao tecido. Repete-se a operação até que se transforme numa bolota de cera. Deixa-se secar até que a cera fique bem durinha e, somente então, coloca-se dentro da gamela de Xangô, onde deverá permanecer até que a graça seja alcançada. Depois de atendido o pedido feito ao Orixá, despacha-se a bolota nos pés de uma palmeira real.

OFERENDAS A YEWÁ

- Para conquistar um amor impossível.

Um coração de cera dentro do qual se coloca os nomes das pessoas interessadas, escritos 7 vezes, um ao lado do outro. O papel, depois de escrito, é enrolado em forma de canudo e atravessado por sete agulhas de cozer. Coloca-se o tubinho dentro do coração de cera e acrescenta-se: Uma folha de abre caminho; uma folha de elevante; sete pétalas de rosa vermelha; um pedaço de talo de comigo-ninguém-pode; um pouco de pó de osun; pó de peixe defumado; milho torrado; azeite de dendê e mel de abelhas. Coloca-se o coração dentro de uma panelinha de barro, completa-se com azeite de oliva e entrega-se ao Orixá, com uma vela de sete dias acesa e pedindo-se o que se quer. Despacha-se num rio.

Para obter uma graça.

Cozinha-se sete raízes de mandioca pequenas, descascadas. Arruma-se numa travessa de barro e cobre-se com: melado de cana; açúcar mascavo; uma pimenta da costa em cima de cada raiz de mandioca; pedaços de coco cortados em tiras finas e mel de abelhas. Arreia-se diante de Yewá e despacha-se, sete dias depois, numa lagoa de água doce.

OFERENDAS À OIYÁ

- Para que Oyá trabalhe em uma determinada questão.

Prepara-se um bom molho com pimentão, tomate, cebola, alho e azeite de dendê. Prepara-se 9 acarajés. Sobre cada acarajé coloca-se um grão de ataré e uma moeda de cobre. Arruma-se os acarajés numa travessa de barro forrada com folhas de bambu e rega-se tudo com o molho. Arreia-se aos pés de Oyá e despacha-se, depois de dias num bambual.

Para dificuldades financeiras.

Prepara-se um boa quantidade de pipocas feitas no azeite de dendê, coloca-se num balaio e oferece-se à Oyá junto com Obaluaye. Prepara-se, em vasilhas separadas para cada Orixá, uma mistura de vinho seco com canela em pó e mel de abelhas. Acende-se uma vela para cada Orixá e despacha-se na estrada.

- Para evitar aborto com a proteção de Oyá.

Escolhe-se uma berinjela grande e bonita, corta-se em 9 fatias, frita-se em óleo de amêndoas. Corta-se, ao

meio, uma cabaça de pescoço, limpa-se por dentro e arruma-se ali as rodelas de berinjela fritas. Tempera-se com pó de peixe defumado, pó de preá; osun e efun. A cabaça é fechada e amarrada com fita vermelha. Coloca-se num alguidar e deixa-se diante do igbá de Oyá até o final da gravidez. Depois que a criança nascer deve ser mostrada ao Orixá e só então, a cabaça será despachada num pé de akokô.

- Para obter uma graça.

Frita-se 9 pedaços de mandioca cortados em rodela (não retirar a casca). Os pedaços de mandioca são fritos em azeite de dendê, em fogo brando para que fiquem bem passadinhos. Num alguidar arruma-se: Os 9 pedaços de mandioca fritos; 9 espigas de milho verde descascadas e limpas; 9 acarajés; 9 obís vermelhos (de quatro gomos); milho torrado; feijão fradinho torrado; azeite de dendê; mel de abelhas e pó de efun. Deixa-se 9 dias diante de Oyá e despacha-se numa praça pública .

OFERENDAS A OMOLU / OBALUAYE

Para saúde.

Pega-se 14 pãezinhos de sal frescos, passa-se no corpo da pessoa e vai-se arrumando num alguidar de barro. Depois que todos os pães já estiverem no alguidar rega-se com azeite de dendê e vinho tinto seco, salpicando-se por cima pó de efun. Deixa-se diante do Orixá durante sete dias, findos os quais, retiram-se os pães substituindo-os por outros, agindo sempre da mesma forma. Os pães retirados são levados e despachados na porta do cemitério. A operação deve ser repetida até que a pessoa fique curada.

- Para pedir prosperidade a Omolu.

Sete cebolas roxas descascadas e fritas em azeite doce; sete espigas de milho verde assadas na brasa; sete rodelas de pão de sal; sete rodelas de aipim cozido com casca; milho torrado; tremoços e pipoca feita no dendê. Arruma-se num alguidar, primeiro o milho torrado e os tremoços. Por cima dispõe-se as rodelas de aipim, as fatias de pão, as espigas e as cebolas. Rega-se com azeite de dendê e cobre-se com as pipocas. Deixa-se sete dias diante de Omolu e despacha-se no mato

OFERENDAS A OXALÁ

- Merengue para agradar OXALÁ

Bate-se oito, dez ou dezesseis claras de ovos em neve. Com as clara faz-se um monte sobre o qual se coloca uma pitadinha de efun e, ao redor, um obi branco de quatro gomos aberto, (cada pedaço do obí deve ficar de um lado do prato, em forma de cruz. Arreia-se aos pés de Oxalá o que se quer. (Para Oxaguian, faz-se com 8 claras, para Oxalufan, com dez ou dezesseis).

- Para problemas de caminhos fechados. Cozinha-se uma boa quantidade de canjica e separa-se a água em que foi cozida. Coloca-se a canjica numa tigela branca grande. Pega-se um igbín, meio metro de morim branco, uma garrafa com água de chuva e uma vela branca grande. Leva-se tudo ao alto de um morro e, num lugar limpo sob a sombra de uma árvore, arreia-se a tigela com a canjica sobre o pano branco. Molha-se o igbín, e coloca-se sobre a canjica dentro da tigela. Despeja-se o resto da água sobre o igbín, já sobre a tigela. Acende-se a vela, bate-se cabeça pedindo-se à Obatalá que, assim como aquele igbín vai encontrar seu caminho dentro da mata, que o caminho da pessoa seja aberto para o progresso, a paz e a harmonia. Ao retornar, toma-se banho com a água da canjica cozida misturada com água de poço. Veste-se roupa branca durante três dias e observa-se resguardo de boca e de corpo.

- Para obter prosperidade.

Retira-se a casca de um coco seco; rala-se a polpa e coloca-se numa tigela grande. Junta-se à isso um copo de leite de cabra, oito colheres de mel de abelhas; oito folhas de saião e uma bola de efun desfeita em pó. Bate-se bem a mistura no liqüidificador. Depois de bem batida, coloca-se a mistura num tigelão branco, cobre-se a tigela com algodão em rama e enche-se um prato com arroz branco cru. A tigela com o líquido é colocada dentro do prato, sobre o arroz. Coloca-se, junto ao arroz, uma boa quantidade de moedas. Deixa-se nos pés de Obatalá, de um dia para o outro, com uma vela acesa. No dia seguinte, despeja-se o líquido da tigela num balde, acrescenta-se água de poço e toma-se um banho da cabeça aos pés. O arroz deve ser cozido para ser comido normalmente, com todos os temperos comuns. As moedas são atiradas dentro do poço de onde se retirou a água para o banho.

OFERENDAS A OGUN

- Para obter uma graça qualquer do Orixá Ogun. 1 inhame-do-norte cozido; arroz cru; ori-da-costa; azeite de

dendê; mel de abelhas; melado de cana; 7 pimentas ataré e gin. Amassa-se o inhame cozido e mistura-se a massa

obtida com o ori-da-costa e o arroz. Com esta massa, preparam-se, modelando-se com as mãos, 7 bolas que, depois de prontas, serão arrumadas num alguidar de barro onde já se colocou o milho torrado. Acrescenta-se os demais ingredientes e oferece-se a Ogun, diante de seu igbá onde deverá permanecer por sete dias. Despacha-se na mata.

- Para apaziguar Ogun. Para acalmar a ira deste Orixá, basta oferecer-lhe uma melancia aberta e regada com melado de cana.

- Para que Ogun defenda uma casa de malefícios.

Uma faca de aço é colocada no fogo até que fique em brasa. Quando a lâmina da faca estiver acesa, pega-se, coloca-se em cima de Ogun e derrama-se sobre ele azeite de dendê de forma que o azeite escorra sobre a ferramenta do Orixá. Esta faca é embrulhada em pano vermelho junto com os seguintes ingredientes: 1 fava de ataré inteira; 7 grãos de milho torrados; sete pedacinhos de coco seco e um pouco de uáji. Envolve-se tudo, inclusive a faca, no pano vermelho e enrola-se, bem enrolado, com linha verde e linha azul. Somente a lâmina da faca deverá ser enrolada pelo pano e pelas linhas, o que formará uma espécie de bainha. Este fetiche deverá permanecer atrás da porta da casa e, todas as vezes em que Ogun comer, deverá ficar junto com ele, no igbá, durante todo o tempo do orô e enquanto durar o preceito.